...
hope your road is a long one,
full of adventure, full of discovery. From: Ithaka (Konstantinos Kaváfis)


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Aquecendo a dupla!!!

Como faltam somente 5 meses, e cinco meses passam muito rápido, já começamos o nosso aquecimento para o "Alpentour 2011". Foi um bate-volta para Serra Negra (SP) / Monte Sião (MG). Rodamos 400 km.

Vejam algumas fotos:

Treinando curvas...


Vista do cockpit...

Outra perspectiva!!!

Esta curva não faz jus a todas que fizemos (muito boas)...

Do alto, comendo asfalto...

A dupla "The 2 Neves"...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Roteiro e mapa do Alpentour 2011

Pessoal,

Para ficar mais fácil nossa discussão, coloco a planilha com o roteiro e o mapa do Google para acompanhamento.




Visualizar Alpentour 2011 em um mapa maior

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Reportagem Publicada no "O Jornal" de Concórdia - SC

Saiu na edição de 27/05/2009 reportagem sobre a viagem que fizemos. Vejam esta matéria.

Detalhando o Roteiro IV - Alpes Marítimos: Col de la Bonette / Col de Vars / Col d`Izoard

     Agora sim as grandes montanhas. Após o gostinho dos Alpes Marítimos, ao percorrermos o “Col de Turini” no Sudeste Francês, voltamos aos Alpes para subir a cordilheira “Ocidental”. Antes de discorrer sobre este trecho específico do roteiro, creio ser interessante dar uma ideia do que são os “Alpes” e de como se originaram geologicamente. As informações a seguir foram tiradas da “Wikipédia”:

     Os Alpes são um dos grandes sistemas de cordilheiras da Europa e estendem-se da Áustria e Eslovênia, a leste, através da Itália, Suíça (Alpes suíços), Liechtenstein e Alemanha, até a França, a oeste. A palavra "Alpes" vem do latim Alpes, que por sua vez pode estar relacionado com os termos latinos albus ("branco") ou altus ("alto") ou, mais provavelmente, com alguma palavra celta ou lígure.

Mapa Topográfico dos Alpes (cliquem no mapa para ampliar)

     Os Alpes costumam ser divididos em Alpes Ocidentais e Alpes Orientais. A divisão segue a linha entre o lago Constança e o lago Como, ao longo do Reno. Os Alpes Ocidentais são mais elevados, mas sua cordilheira central é mais curta e curvada; localizam-se na Itália, França e Suíça. Os Alpes Orientais, com um cerne mais alongado e largo, pertencem à Áustria, Alemanha, Itália, Liechtenstein, Eslovênia e Suíça.

     O ponto culminante dos Alpes é o Monte Branco, com 4 808 metros, na fronteira franco-italiana.

     Os Alpes foram levantados devido à pressão exercida sobre sedimentos da bacia do mar de Tétis, à medida que os seus estratos mesozoico e cenozoico foram empurrados de encontro à estável massa eurasiática pela massa africana, que se movia na direção norte. Isto ocorreu durante as épocas oligocena e miocena. A pressão formou grandes dobras, chamadas "nappes", que subiram do que era o mar de Tétis (*) e pressionaram na direção norte, com frequência partindo-se e deslizando umas sobre as outras. O Monte Branco, o Matterhorn e os picos elevados dos Alpes Peninos e Hohe Tauern são formados por rochas cristalinas.

     A paisagem vista hoje foi formada principalmente por glaciação ao longo dos últimos dois milhões de anos. Pelo menos cinco eras glaciais atuaram para alterar a região, ao formar os lagos e arredondar as colinas de calcário na franja setentrional. As geleiras têm recuado ao longo dos últimos 10 mil anos. Crê-se que, com o término da última era glacial, o clima foi alterado de maneira tão súbita que as geleiras recuaram para as montanhas num período de cerca de 200 a 300 anos.

(*) Quando o supercontinente Pangea iniciou sua ruptura, ela deu-se de forma a surgir um oceano entre duas grandes massas continentais, a Laurásia (ao norte) e o Gondwana (ao sul). O oceano que os separou foi chamado de Mar de Tétis, que corresponde ao proto-mediterrâneo.
     Vamos deixar a Provence para trás, tendo como objetivo do dia chegar a Sestriere, na Região do Piemonte – nos Alpes Italianos. Dia de escalada de montanha e diversão garantida com a pilotagem das motos nas curvas. Vamos percorrer, como diz o refrão de uma famosa música dos Beatles - “The Long and Winding Road”:

"The long and winding road
That leads to your door
Will never disappear
I've seen that road before
It always leads me here
Lead me to your door".
    
Começaremos rodando a margem direita do rio Verdon, em uma estrada sobre a borda da garganta que promete ser espetacular, assim como a margem esquerda percorrida na rota para Moustiers-Ste-Marie. Nas pesquisas que tenho feito na internet encontrei depoimentos de motociclistas que percorreram as estradas que margeiam o “Gorges du Verdon”. Um em especial chamou minha atenção, de um motociclista europeu (não consigo recordar a nacionalidade- inglesa ou alemã), comentando que dentre as realizações de um homem no decorrer da sua vida – plantar uma árvore, escrever um livro e criar um filho – deveria ser acrescentada mais uma: andar de motocicleta pelas bordas do Verdon. Deve ser um exagero, vamos checar.

     É um dia de água e montanha. Após a “garganta” vamos bordear um lago artificial, dentre tantos formados ao longo do rio Verdon, chamado Lago de Castillón e vamos nos preparar para iniciar o trecho alpino.

     As rotas alpinas são sempre desenvolvidas ao longo de vales, que podem ter duas origens distintas: (i) fluviais - formado pela ação dos rios - com a sua conformação típica em “V” com as bordas bastante íngremes; (ii) glaciais – formados pelo deslocamento lento das geleiras – que tem a forma típica de um “U” com bordas mais suaves. Estes vales invariavelmente terminam em “passos”, que são pontos culminantes que ligam vales contíguos (estes pontos tem nomes variados: “Col” em francês, “Passo” em italiano, e uma salada de letras seguida da terminação “pass” na Suíça, Áustria e Alemanha.

     Em nossa aproximação alpina ainda percorreremos mais um trecho margeando rio: no caso o rio chama-se “Var” e o trecho a ser percorrido é conhecido como “Gorges de Daluis” (gargantas de Daluis). “Daluis” é uma pequena vila medieval às margens do rio Var e esta região também é muito procurada pelos motociclistas que descem do norte da Europa em direção à Cote d`Azur (Costa Mediterrânea) por conta da beleza cênica da rota (estrada margeando o canyon do rio Var, com encostas íngremes e vários túneis curtos de mão única) e prazer na pilotagem em estrada sinuosa.


Gorges de Daluis

     O próximo ponto de destaque, além é claro da própria estrada e das várias pequenas vilas medievais que cruzaremos, é o Parque Nacional do Mercantour. A Europa não possui muitos parques nacionais para proteger as suas riquezas biológicas, culturais e cênicas. A França possui 9 Parques Nacionais – um dos quais iremos percorrer, que é o do “Mercantour”. Criado em 1979, possui uma área de aproximadamente 215.000 hectares desenvolvendo-se ao longo do maciço de “Argentera Mercantour” – que faz a fronteira entre a Itália e a França. Este parque, assim como o seu vizinho italiano “Parco Naturale Alpi Marittime”, protege a maior diversidade de flora da França, com mais de 2.000 espécies catalogadas. Abriga também um antílope montanhês (muito semelhante a uma cabra) chamado de “chamois” em francês.

Parque Mercantour (cliquem no mapa para ampliar)
     Nosso objetivo ao percorrer o Parque do Mercantour é fazer a travessia do “Col de la Bonette”, com 2.715 msnm, o terceiro mais alto passo motorizável da Europa, que fica localizado dentro do Parque. Próximo ao passo fica o ponto culminante desta estrada (D64), que é o “Cime de la Bonette”, que fica a 2.802 msnm de altitude. Este ponto na realidade é somente uma alça da estrada que leva até este ponto extremo. Aqui vale uma observação importante: os mais altos passos alpinos normalmente abrem para o tráfego entre os meses de junho e outubro, período em que a neve acumulada nestes pontos derrete e possibilita as suas travessias, razão pela qual planejamos esta viagem para meados de junho.


"Cime de la Bonette" (Mapa Topográfico - cliquem para ampliar)

Estrada D64 para o "Cime de la Bonette"

Belas curvas para o "Cime de la Bonette"

Camp des Fouches (Fortificação Militar Francesa da II Guerra Mundial
    

Estrada D64 passando pela vila militar de "Camp des Fouches"


     Não vamos mais abandonar as montanhas por muitos dias. Como gratificação adicional pelo dia de estradas alpinas ainda teremos as travessias do “Col de Vars”, com 2.109 msnm de altitude, e do “Col d`Izoard”, com 2.306 msnm. Se o programa for cumprido integralmente, terminaremos o dia em Sestriere, na Itália. Sestriere é uma vila de montanha situada a 2.035 msnm de altitude entre os vales do Chisone e Susa. Foi sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2006.


Vertente Norte do "Col d`Izoard"

"Col de Vars"

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Detalhando o Roteiro III: "Gorges du Verdon"

   Alguns anos atrás estava pesquisando rotas cênicas (as estradas destacadas com verde nos mapas da Michelin) para percorrer com a minha mulher na Provence quando deparei com um canyon chamado "Gorges du Verdon". Para minha surpresa descobri ser uma das belezas naturais da França (não é comparável ao Grand Canyon Americano, tampouco tem a magnitude - profundidade - do Colca Canyon Peruano). As estradas que o margeiam são especiais para o turismo, motorizado ou não, oferecendo aos viajantes a beleza cênica e o bucolismo do interior da Provence. A vontade de conhecer a região do Verdon permanece desde então. 

     Então esta será uma boa oportunidade para saciar a minha curiosidade. Vamos ao detalhe do trecho: após percorrer o “Col de Turini” até a vila de La Bollène-Vésubie (para melhor acompanhar o roteiro sugiro sempre que consultem o mapa que está como link no post de 11/11/10 - "Finalmente a primeira versão da Rota dos Grandes Alpes. Vejam também o post anterior - "Detalhando o Roteiro II") tomaremos o rumo “Sul”, acompanhando o rio Vésubie (as informações que tenho é de que este trecho também é muito bonito, com a estrada desenvolvendo-se ao longo da a garganta escarpada acompanhando o rio Vésubie), até o seu encontro com o rio Vars, quando tomaremos a direção de “Grasse”.

     Já disse um eminente viajante que as formas mais imediatas de entrar em contato com as culturas locais são a culinária e a música. Culinária envolve aromas e texturas, e aromas remetem a perfumes. Então houso acrescentar mais esta forma de interação cultura - "os cheiros locais". Neste trecho do roteiro está programado uma passagem por Grasse, que é a capital francesa dos perfumes. É nesta cidade que são preparados os tão celebrados aromas que fazem os perfumes franceses serem apreciados mundialmente.

     Para quem gosta de cinema, esta cidade é citada no filme “Perfume – A história de um assassino, baseado no livro homônimo do escritor alemão Patrick Süskind, cuja sinopse segue:

     Paris, 1738. Jean-Baptiste Grenouille (Ben Whishaw) nasceu em um mercado de peixe, onde sua mãe (Birgit Minichmayr) trabalhava como vendedora. Ela o tinha abandonado, mas o choro de Jean-Baptiste faz com que seja descoberto pelos presentes na feira. Isto também faz com que sua mãe seja presa e condenada à morte. Entregue aos cuidados da Madame Gaillard (Sian Thomas), que explora crianças órfãs, Jean-Baptiste cresce e logo descobre que possui um dom incomum: ele é capaz de diferenciar os mais diversos odores à sua volta. Intrigado, Jean-Baptiste logo demonstra vontade de conhecer todos os odores existentes, conseguindo diferenciá-los mesmo que estejam longe do local em que está. Já adulto, ele torna-se aprendiz na perfumaria de Giuseppe Baldini (Dustin Hoffman), que passa por um período de pouca clientela. Logo Jean-Baptiste supera Baldini e, criando novos perfumes, revitaliza a perfumaria. Jean-Baptiste cada vez mais se interessa em manter o odor de forma permanente, o que faz com que busque meios que possibilitem que seu sonho se torne realidade. Só que, em suas experiências, ele passa a tentar capturar o odor dos próprios seres humanos.




     Recomendo a todos este filme, é uma boa diversão. Prestem atenção quando o perfumista Giuseppe Baldini, que é o Mestre Perfumista do protagonista Jean-Baptiste Grenouille, diz que não tem mais nada para ensinar e sugere que vá para “Grasse” para aprender como extrair os aromas em uma técnica conhecida como “enfleurage”.

     A partir de Grasse faremos um pedaço da Rota Nacional 85, conhecida como “Rota de Napoleão” (rota percorrida por Napoleão Bonaparte, ao retornar de seu exílio na Ilha de Elba, até a cidade de Grenoble para retomar o seu trono) até o entroncamento com a rota D21 na localidade de La Logis du-Pin. A partir deste ponto percorreremos as bordas do “Gorges du Verdon”.




     Este famoso “canyon” formado pelo rio Verdon localiza-se na região sudeste da França, no Departamento “Alpes-de-Haute-Provence” e é considerado um dos mais bonitos da Europa. Tem aproximadamente 25 km de extensão e mais de 700 m de profundidade. Deve seu nome a cor das sua águas: verde turquesa.








     A partir de Moustiers-Ste-Marie, no "Gorges du Verdon", poderemos fazer também um pequeno desvio de uns 70~80 km para percorrer um trecho de estrada rural (asfaltada) até o Platô de Valensole para ver as plantações de alfazema (como é primavera, devem estar floridas). Estou pesquisando algumas destilarias de essências aromáticas nesta região para visitarmos, sem fazer grandes desvios de roteiro e calculando bem os tempos para tanto (este roteiro está tão bacana e tem tanto lugares fantásticos para percorrer que temos que aproveitar bem o tempo, apesar das distâncias diárias a serem percorridas situarem-se entre 350 e 400 km).
     Sobre "Moustiers-Ste-Marie: no Século V monges da Abadia de Lerins estabeleceram-se nas escarpas das montanhas - em cavernas - dando origem ao Monastério (Moustiers). Evoluiu para centro de peregrinação popular no Século XIII. No Século XVII foi introduzida a faiança (porcelana). Hoje é uma charmosa vila turística que integra o Circuito do Verdon e da "Lavanda".
     Ainda sobre Moustiers: a região da Provence também - ou talvez principalmente - é famosa pela sua culinária,  que mistura hervas aromáticas e óleo de oliva produzido localmente. Em Moustiers o famoso "Chef de Cuisine" Alain Ducasse (com três restaurantes estrelados pelo Guia Michelin) possui um "Inn", chamado "La Bastide de Moustiers", que aproveitou uma antiga casa construída com pedra local e a transformou numa "Pousada de Charme" com um pequeno restaurante anexo. Adivinhem como Alain Ducasse descobriu este local em 1994? Andando de motocicleta pela região. Talvez por esta coincidência motociclística, mas não só por ela, valerá a pena gastarmos uns Euros a mais e programarmos um jantar neste restaurante (podem ir preparando EU$ 100 por pessoa).

 
 
Plantação de "alfazema" no Platô de Valensole

Moustiers-Ste-Marie

Pintura de faiança (porcelana) por artesão da Moustiers-Ste-Marie

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Detalhando o Roteiro II: "Col de Turini"

     Já houviram falar do Rally de Monte Carlo? Durante muitos anos fez parte do Campeonato Mundial de Rally. Agora integra o Campeonato Intercontinental (uma espécie de 2a Divisão do Mundial). Pois é, este passo alpino, de 1.607 msnm, localizado no Departamento (Estado) dos Alpes-Marítimos na França está no nosso planejamento.

     Vejam o mapa e algumas fotos sugestivas:

Mapa do Trecho entre Sospel e La Bollène

Os famosos "hairpins" do "Col de Turini"


Esta é só para "provocar"!!! Quem se habilita?


     No "post" anterior tem o mapa da "Rota dos Grandes Alpes". Observem que o "Col de Turini" faz parte desta rota. Depois de subir este "Col" faremos uma variante para "Oeste" em direção ao "Gorges du Verdon" na Provence.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O que é a "Rota dos Grandes Alpes"?

     Em 1909 o Touring Clube da França lançou a construção da “Rota dos Grandes Alpes”, que foi desenvolvida ao longo de vários anos do Século XX, com interrupção por conta da Ia. Guerra Mundial que conflagrou a Europa entre 1914 e 1918. Na essência é um conjunto de estradas turísticas que ligam o Lago Léman, na Suíça, com a cidade de Menton, na costa Mediterrânea da França (Côte d`Azur – Costa Azul). Estende-se por aproximadamente 700 km e inclui 16 “passos” de alta montanha, 6 deles com mais de 2.000 msnm. Só é acessível na sua extensão total entre os meses de junho e novembro em função da neve acumulada nos altos passos. Na época da sua construção serviu para tirar do isolamento um número expressivo de vilarejos alpinos e estimulou o desenvolvimento de vales isolados através de atividades turísticas.

     Atualmente é muito procurada para o turismo, sendo considerada por muitos motociclistas como um dos melhores roteiros para passeios de moto na Europa, principalmente em função da beleza das suas paisagens alpinas e da sinuosidade das suas estradas.

     Em nosso roteiro usaremos a “Rota dos Grandes Alpes” como orientação básica para a nossa escalada do Mediterrâneo para a Suíça, percorrendo quase toda a sua extensão, a menos de um providencial desvio para a região da Provence (França) para visitarmos a região do “Gorges du Verdon” (Canyon do Rio Verdon), assunto para um outro “post”.